Meu nome é Bruno Savassa.

Sou psicanalista e psicólogo formado pela Unisal – Lorena/SP e com extensão em Teoria Psicanalítica pela PUC-SP.

Atendo adolescentes e adultos sob a abordagem psicanalítica na cidade de São José dos Campos/SP.

Atendimento particular.

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Ética Profissional

Um pouco do meu trabalho na mídia…

Fui chamado a dar uma entrevista para a Band a respeito do aumento de número de casos de violência nas escolas de São José dos Campos/SP.

Como a aparição foi pouca e se restringiu ao que mencionei sobre a prevenção dos atos de violência. Então pensei em deixar aqui um pouco mais sobre o assunto e sobre o que falei durante a entrevista com o repórter mas que não foi ao ar.


A adolescência é uma fase marcada principalmente por muitas mudanças, mudanças biopsicossociais. Temos alterações no corpo, onde os hormônios vão ser produzidos em maior quantidade o que vai gerar mudanças diferenciadas dependendo do sexo da pessoa.

Essas alterações vão ter consequências psicológicas, pois envolvem um processo de elaboração por parte do adolescente desse novo corpo que está se configurando.

É uma marcação de que se está deixando de ser criança e começando a se tornar adulto. A imagem corporal, questão tão em importante nos dias de hoje, vai ser posta em relevo e em questionamento.


O jovem estava acostumado com um corpo, agora surgem pêlos onde não haviam, os seios crescem, a voz muda e falha, etc. E desejos afloram. E como lidar com eles?

Além disso tudo, as relações também vão se modificar. As conversas não são mais as mesmas, o grupo começa a ter uma importância muito grande, rivalidades surgem, paqueras, de início alguns adolescentes vão se agrupar por gênero (o grupo das meninas e dos meninos) mais para frente vão surgir a troca entre estes…


Como é um período que marca uma jornada rumo à autonomia e a independência que eles almejam tanto, eles vão se distanciar dos pais e voltar-se mais aos amigos.

É uma época de testar as coisas, descobrir coisas novas, habilidades e interesses… Então há muita coisa em jogo, o que vai resultar numa oscilação constante de humor que também é incentivada pela cultura e por nossa época, que preza pela competição, pela disputa, pelo individualismo, pelo “ser o melhor”, que coloca como central a questão da imagem e do ser visto. Uma cultura que exige que a pessoa dê o máximo de si e seja feliz e aproveite tudo.

A questão da violência nunca é uma questão simples e de fácil solução, primeiramente porque em certa medida ela é inerente ao ser humano. E em segundo, por envolver diversos fatores que devem ser levados em consideração.


A violência nas escolas tem o seu contexto social e cultural. Nós temos que pensar e perceber que vivemos um período de banalização da violência. O que isso significa?

Que atos violentos não são mais vistos com tanto espanto, isso quando não são vistos com certo fascínio. Nós estamos constantemente presenciando a violência, no dia-a-dia, nos noticiários, nas revistas, jornais e agora principalmente na internet, nas redes sociais, como vídeos de cenas atrozes que são compartilhados pelo WhatsApp.. Então nós já não nos espantamos tanto com certas coisas.


Numa sociedade em que a violência está banalizada, ou não é identificada como sintoma da patologia social, corres-se o risco de transformá-la num valor cultural válido a ser incorporado, gerando, na sociedade, condições para que a violência física e moral se transforme em elemento de afirmação do jovem nessa cultura (LEVISKY, 2000).


Então, é preciso perceber essa violência como um sintoma de uma cultura e de uma sociedade que promove a pobreza e a desigualdade social, o desemprego, a intolerância ao diferente, a competição e o consumo excessivo, o individualismo, a exclusão do outro, etc.


Como vai dizer o psicanalista e psiquiatra José Otávio Fagundes (2004):

Podemos pensar que o crescimento do índice de violência mundial mostra não necessariamente um aumento de depressão biológica ou de instinto destrutivo, mas de uma violência relacionada à insatisfação e ao vazio, agravados por uma sociedade alienante e excludente, com a valorização do consumo, a satisfação imediata, a competição por ser o melhor e ter mais, a exaltação do mundo material e tecnológico em detrimento do pensar e da subjetividade, propiciadora, portanto, do desenvolvimento de personalidades narcisistas voltadas só para si mesmas, em busca do prazer, como defesa contra um mundo impessoal e sem compaixão.


Então somos bombardeados a todo momento com mensagens e demandas: seja feliz, aproveite o momento, carpe diem, transe, consuma, compra, apareça, tenha prazer… Isso nega a dimensão do sofrimento, pois ele é inerente à vida humana, à existência.


E isso tudo gera um excesso de excitação na pessoa. E muitas vezes o ato violento é uma forma de dar vazão a esse excesso, além de ser uma forma de negar e destruir o outro, pois relacionar-se com o outro é complexo e gera sofrimento.


Eu tenho que renunciar a muitas coisas e pensar na necessidade desse outro. Ele é diferente de mim, tem suas características próprias e como lidar com isso?


Outro ponto importante dessa discussão são os modelos de identificação que se apresentam aos jovens. Vivemos uma crise política e ética no país, onde os nossos representantes maiores estão envolvidos em casos de corrupção e outros diversos crimes, e não são punidos por isso ou há uma certa seletividade na punição dos mesmos.


O país polarizado aumenta os ânimos e desavenças. Vemos o fenômeno de jovens se identificando com deputados que estimulam a violência e pregam a solução para ela com mais violência, deputados que incentivam a tortura, a ditadura militar, a intolerância à diferença, o machismo, o sexismo, etc.


Vemos jovens tentando lutar por seus direitos e por uma escola e um ensino de qualidade e são massacrados pela mídia e tratados com violência pelo estado que age pela Polícia Militar. Portanto, vê-se uma incoerência e um cinismo de uma sociedade que quer o fim da violência e ao mesmo tempo estimula e age violentamente.


Além disso, ainda temos a situação da escola pública, onde se tem salas lotadas e professores mal-pagos e sobrecarregados. É uma situação e local estressante.

Os alunos adolescentes cheios de energia, muitas vezes sem interesse em aprender… Os professores tendo que dar conta de todos eles e de despertar o interesse pelo aprendizado naqueles estudantes.


E nós não sabemos o que se passa na vida de cada um deles, que tipo de problemas eles passam em casa, no bairro, na vida amorosa e social… Muitos dos jovens que atuam violentamente, o fazem por medo ou defesa, por justamente estarem passando por situações de violência em seus lares ou ambientes que frequentam.


Casos de negligência familiar, ausência de alguma figura parental, violência doméstica, abusos e violência sexual; tudo isso pode desencadear posturas violentas, ou então depressivas e ansiosas. E muitos adolescentes acabam se identificando com os agressores que têm em casa.

Então é preciso analisar caso a caso. Sempre através do diálogo e da escuta. Tentar entender o que se passa no lar desse adolescente, no seu circulo de amigos, na escola, como é a sua relação com os professores, porque o ato violento é um sintoma de algo que está calado, algo que está sem expressão. Há algo em desequilíbrio e muitas vezes o ato violento é o grito de socorro.


Preventivamente, precisa-se investir em projetos que visem criar espaços de troca e de diálogo, de reflexão sobre os temas que envolvem a adolescência ou o cotidiano desses jovens de acordo com seu contexto sociocultural e econômico.


Discussões mediadas por profissionais capacitados, mas também discussões que podem surgir no meio de uma aula e que vale a pena fazer uma pausa nessa aula para discutir tal assunto. Investir em cultura, arte, esporte e lazer.


Eles precisam de espaços para expressar suas angústias e inseguranças, e também para dar vazão aos excessos de energia. Investir na capacitação de profissionais para mediação de conflitos. Investir no protagonismo dos jovens, criar maneiras deles mesmos discutirem e decidirem sobre como querem suas escolas, como acham que deve ser a responsabilização por atos contrários às regras, etc.


Assim criando atitudes cidadãs e jovens capazes de respeitar seus colegas e a si mesmos para que eles façam e sejam a mudança social, cultural e política que necessitamos.


Referências:

LEVISKY, D. L. Aspectos do processo de identificação do adolescente na sociedade contemporânea e suas relações com a violência. In: Adolescência e Violência. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.

FAGUNDES, J. O. A psicanálise diante da violência. In: Leituras Psicanalíticas da Violência. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

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